Abordaram-me na rua. Com o meu Alemão primitivo não entendi muito bem o que a outra pessoa me estava a dizer, tudo o que consegui entender é que dormia na rua. Respondi-lhe em Alemão que não falava a sua língua e ele respondeu-me: "English?". Respondi-lhe que sim e ele ripostou, agora numa língua mais familiar, que dormia na rua, que não tinha dinheiro e perguntou-me se não tinha algum dinheiro que lhe pudesse dar. (Nada de extraordinário right?) Eu sabia que não tinha dinheiro, mas o impulso levou-me a meter a mão nos bolsos e procurar por algo. "Isto é uma moeda?", pensei para mim. Tirei-a do bolso, deixei-a na palma da minha mão estendida, olhei para ela e era de facto uma moeda. Olhei para ele, ele olhou para a minha mão, olhou para mim e inclinou a cabeça. "This is all i have, i'm so sorry". "I'll take it anyway, it's my "glück cent"." Entreguei-lhe o cêntimo e pela primeira vez em toda a minha vida senti-me pobre, não porque fiquei sem um cêntimo, obviamente, mas porque não tinha mais nada para lhe dar a não ser aquilo, e ele, mesmo não tendo nada e tendo recebido um mísero cêntimo olhou para ele como o cêntimo da sorte, da felicidade. Um cêntimo. Quantas vezes olhei eu, olhamos nós, para o dinheiro, que talvez seja mais do que aquilo que ele alguma vez teve, e nos sentimos sortudos e felizes por isso? A vida é isto mesmo, meia dúzia de cêntimos?! Abençoado cêntimo, para os dois.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário